sexta-feira, 27 de março de 2009

A SINERGIA DO CORPO - Parte 2



“O animal se move e muda de posição

pressionando o que está abaixo dele.”
Aristóteles

Resumindo todas as numerosas possibilidades de movimento para o corpo humano usar, tanto ofensiva quanto defensivamente, chegaremos em duas ações básicas e naturais: empurrar (compressão/repulsão) e puxar (tração/ atração).

Para estes dois simples atos a biomecânica prega um posicionamento correto do corpo que os precede para garantir sua melhor performance, com segurança e ao mesmo tempo maximizando a força aplicada. Meu método dá mais ênfase ao uso do poder dos tendões e ligamentos e usa duas variantes da postura triangular de base:

Para empurrar e avançar, mantenha a perna traseira semi-esticada e a dianteira com o calcanhar ligeiramente levantado e a ponta dos pés exercendo um esforço contrário, mas menor, em relação ao empuxo do pé traseiro. Mantenha uma separação entre os pés equivalente à largura dos ombros. Esta é comprovadamente a melhor forma de lançar um golpe ou de se locomover para frente.

Para puxar e recuar recomenda-se uma postura com a perna dianteira em ângulo e com o pé dianteiro bem plantado no solo. A perna traseira deverá estar flexionada e com o calcanhar levantado, aproveitando também o efeito de mola do uso do tendão de Aquiles. A tensão isométrica entre as pernas é que decide qual será a ação executada — expansão ou contração — e os pés atuam como força propulsora para gerar oscilações que vão do pulso às ondas de energia cinética.
Outras particularidades poderão ser descobertas através de experiências durante os treinamentos e servirão para orientar o praticante sem a necessidade de acúmulo de técnicas e teorias tentando prever e padronizar cada situação inesperada, aliás um modo ingênuo de se treinar artes marciais.

A prática tem demonstrado que a liberdade de ação supera todo o condicionamento pois facilita o ajuste e a mudança repentina no caos do combate. A importância desta matéria é essencial nos níveis introdutórios. Mais tarde, no nível intermediário, o praticante pode abrir mão deste suporte, buscando intuir as melhores formas de aplicar os mesmos princípios, agora com outra perspectiva, “quebrando” regras pré-estabelecidas e desafiando os limites impostos pela biomecânica.
A posição do corpo nos exercícios para se incorporar o Princípio AIKI pode ser dividida em treinamento de relaxamento / pressão, contração / distensão, imobilidade e movimento com eixo fixo ou pendular, elementos essenciais da Tensegridade*.

* Tensegridade é qualquer sistema equilibrado composto de dois elementos: tração / atração / encolher / convergir / puxar contínuo contrabalanceado por uma compressão / expansão / repulsão / divergir / empurrar descontínuo. Quando essas duas forças se equiparam em um único sistema estável, o resultado é a formação de uma estrutura extremamente resistente. Se ampliarmos esta estrutura de integridade tensional, quanto maior o sistema mais forte será. Tensegridade é um perfeito exemplo de sinergia, onde dois elementos combinados entre si são muito mais fortes e produtivos juntos do que isolados. Todos os exercícios praticados no MÉTODO IMOTO sempre levam em consideração a tensegridade e a sinergia.

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