quinta-feira, 8 de abril de 2010

RECUPERANDO UMA ALAVANCA ESQUECIDA

No final dos anos 1990, eu continuava insatisfeito com o Aikido, o Taichi, o Chuteboxe e o Yoga praticados na época.
Se pudessem ser combinadas em uma única disciplina e praticadas em conjunto na mesma aula, estas artes e sistemas se complementariam com resultados muitos melhores do que como estavam sendo treinadas em separado.
Porém ainda faltava localizar o elemento em comum de conexão entre elas. Alguma característica ou técnica compartilhada, um fator que se repetia sutilmente em todas estas modalidades em algum nível...
Suspeitei que havia um “elo perdido” nesta matéria polêmica.
Esta foi minha primeira hipótese.
Era o momento de buscar as evidências.

Uma observação peculiar proveniente dos meus estudos do comportamento combativo humano – a hoplologia – também me motivaram a traçar paralelos entre a engenharia primitiva e os guerreiros do passado.
Vários livros e registros arqueológicos atestam que os guarda-costas dos faraós e de outros imperadores e reis do Oriente Médio, da Índia e da China demonstravam uma grande superioridade em relação aos demais soldados dos seus exércitos. Assim como os militares das forças especiais modernas, obviamente aqueles guerreiros antigos tinham um treinamento privilegiado em relação aos demais recrutas. Contudo, o quê exatamente os tornavam tão poderosos, com uma vida muito mais longa e saudável e ainda temidos e respeitados mesmo na velhice?

Confiando na minha intuição depois de assistir a performance de alguns especialistas russos, chineses e japoneses, resolvi me aprofundar no estudo das alavancas para testar uma teoria capaz de desvendar aquele segredo milenar.

Depois de procurar uma explicação plausível de como os povos das primeiras civilizações construíam seus templos e monumentos gigantescos, erguendo e empilhando monólitos de várias toneladas de pedra, constatei que ninguém tinha certeza de qual tecnologia rudimentar eles empregaram.
Somente hoje, com gigantescos guindastes a motor e caminhões de carreta, poderíamos reconstruir as famosas pirâmides com mais facilidade e menor quantidade de operários...
Voltando à minha hipótese, poderia ser justamente a aplicação de um outro tipo de alavanca – derivada ou inspirada naquela tecnologia ancestral – que diferenciava o treinamento daqueles indivíduos especialmente selecionados para proteger um importante soberano. E a melhor evidência era que, enquanto os guerreiros comuns se limitavam a força, tamanho e vigor muscular, aqueles lutadores de elite eram treinados para vencê-los e superá-los mesmo estando em desvantagem. Os livros de história contam episódios de batalhas em que algumas centenas de soldados de infantaria sobrepujaram exércitos com milhares de homens, cavalos e equipamentos de guerra. Com certeza aqueles famosos "300 de Esparta" não eram gregos ordinários escolhidos aleatoriamente para defender as Termópilas contra os Persas...

Então, iniciei um projeto de resgate daquela técnica antiga e esquecida visando otimizar a força dos meus golpes e movimentos sem riscos de lesões para obter com segurança todos os benefícios de um treinamento assíduo a curto, médio e longo prazo.

Por dez anos investiguei este duplo mistério. Se solucionado explicaria a intrigante habilidade demonstrada por raros praticantes avançados do Taichi e do Aikijujutsu.
Minha única pista além da engenhosidade tecnológica dos sumérios, egípcios, indianos e chineses era a existência de um princípio técnico de treinamento e uso correto do corpo baseado nos relatos fantásticos destes professores e de seus alunos.
Partindo do conceito fundamental de que bastam alavancas físicas e a gravidade para mover pesos, verifiquei que, com a técnica correta, não precisaria apelar para o excesso de força e uma musculatura hipertrofiada. Eu não tencionava levantar e deslocar a massa de meu oponente de um lugar para o outro. Os pés do meu adversário, e a sua base de sustentação, deveriam servir como excelentes pontos de apoio e de pivô para facilitar a transmissão e o redirecionamento de forças.
Minha teoria estava começando a evoluir...


USANDO A FÍSICA A MEU FAVOR

Nos meus estudos constatei ainda que quanto mais pesado um corpo ou objeto, mais fácil é mantê-lo equilibrado. Desde que a massa e o peso obedecem as leis conhecidas da Física, eles resistem ao movimento devido à inércia. Mas, uma vez postos em movimento eles resistem à mudança de direção. E também, uma vez que o peso esteja mais concentrado próximo ao seu ponto de apoio e equilíbrio, uma rotação poderá ser iniciada e o corpo/objeto se estabilizará naturalmente.

Maior peso, maior inércia; maior inércia, maior estabilidade.
Logo, quanto mais pesado um corpo, melhor será para movê-lo!


No início achei que pesos extras e alavancas adicionais precisariam ser usados para erguer o meu oponente e colocá-lo apoiado em apenas um ponto de apoio, supondo que isso facilitaria seu deslocamento e consequente desequilíbrio.
Felizmente, na condição bípede do corpo humano, normalmente o peso já está distribuído sobre os dois pés. E graças à Força de Reação do Solo (FRS), isso facilita o deslocamento do corpo: cada passo pressiona o chão com o peso do corpo e a aceleração do movimento para gerar a FRS e canalizar esta energia cinética move seu centro de gravidade . Sem este efeito físico de retorno do peso nos canais e meridianos transformado em força motriz e de impulso neural graças à atuação da gravidade e os estímulos captados pelo sistema nervoso central, ações mecânicas articulares como caminhar, saltar e correr seriam impossíveis. Em outras palavras, viver é se movimentar no tempo e no espaço!

Para testar a teoria nos movimentos no plano horizontal descobri que o ponto de apoio equivale ao ponto de pivô, de rotação do corpo. Este ponto é invisível, mas real e passível de ser calculado. Ao seu redor orbitam linhas eletromagnéticas em circuitos estruturais de forças e de torque no formato de arcos, elipses, círculos e espirais. E desde que eu não precisaria me posicionar embaixo do centro gravitacional do corpo do meu oponente para levantá-lo, minha liberdade de movimento não seria prejudicada.
Essas observações foram cruciais neste estágio das minhas pesquisas, pois me indicaram a existência de uma Quarta Classe de alavancas!


AS CLASSES DE ALAVANCA

Nas três classes conhecidas de alavancas, o ponto de apoio, a força aplicada e a carga sempre estão em contato direto com o braço de resistência.
E este era justamente o problema a ser resolvido, pois cada ação gera uma reação de igual intensidade que acaba anulando e desperdiçando a força aplicada.
E a solução, de acordo com a definição do “Aiki”, é unificar todos os componentes em um único conjunto de forças...
As máquinas cumprem exatamente esta função e o corpo humano - que inclui o cérebro - é a máquina orgânica autogenerativa mais complexa e maravilhosa que conhecemos!
Assim, fiz vários experimentos e análises de alavanca em contato com a carga a ser movida, usando primeiro as manobras de luta e os golpes do Aikido, do Taichi e do Chuteboxe e mais tarde adaptando posturas e exercícios de Yoga para testar a minha teoria na prática. O objetivo era fazer com que o peso da carga descansasse sobre um ponto/eixo virtual de apoio fora da sua base original de sustentação. Assim sua própria estrutura se tornaria o braço de alavanca e o problema seria solucionado!


A QUARTA CLASSE

Ainda de acordo com os tratados de Física, as alavancas são divididas em três classes baseadas na posição relativa da força aplicada, apoio e da carga a ser deslocada. Uma alavanca cujo ponto de aplicação de força e carga estão em lados opostos do ponto de apoio são de primeira classse. Se o ponto de aplicação de força e a carga estão localizadas no mesmo lado do ponto de apoio, ela pertence a segunda ou terceira classe.

Enquanto Arquimedes afirmou com razão que com uma alavanca grande o suficiente e com um ponto de apoio onde posicioná-la, ele poderia mover o mundo, acrescento que com dois pontos de apoio sua tarefa seria ainda muito mais fácil e rápida.
Todavia, no caso das artes marciais e do Yoga, esta técnica de redistribuição de peso deveria ser executada através da Consciência Pura, a maravilhosa inteligência nativa do corpo humano. Esta percepção sensorial inconsciente elevadada ao nível de habilidade consciente é justamente o que define o “Princípio Aiki”. Com o Aiki dominamos o centro de gravidade do(s) adversário(s) já no primeiro contato entre os corpos, anulando imediatamente o seu peso e a sua força neste processo. Incapaz de descarregar seu poder sobre nós e sem chão firme para fincar suas raízes, vencemos sem encontrar resistência.
Esta é a técnica do Aiki que redescobri e passei a aplicar no meu método de combate e cultivo da saúde.

É o peso do corpo que se torna a sua própria alavanca!

Faça o seguinte teste prático para visualizar e compreender esta Quarta Classe de alavanca:
- Fique diante de um voluntário em pé e tente empurrá-lo com o dedo mínimo aplicando força em seu peito. Você encontrará resistência e dificuldade e terá que se esforçar para exercer alguma pressão capaz de mover a pessoa na sua frente.
Agora altere o experimento. Dê meio passo para a esquerda com seu pé direito apontando também para o pé direito do seu voluntário. Apóie novamente seu dedo mínimo no mesmo ponto anterior do peito desta pessoa e veja o resultado: sem esforço você poderá empurrá-la e movê-la, obrigando-a a dar um passo para se reequilibrar.
Este fenômeno da transferência de peso, redirecionando as forças em arco que giram com efeito de torque em torno do Centro de Massa/Gravidade e passa através dele, faz com que um corpo seja literalmente arremessado para a direção escolhida.
Em pouco tempo ajustando ângulos táticos e localizando os devidos pontos nervosos de reflexo condicionado, esta habilidade de desequilibrar o adversário sinergizou meus golpes e manobras.
E sem depender de força bruta.
Finalmente desmistifiquei o Aiki graças ao método científico de pesquisa e desenvolvimento que apliquei nesta tarefa. Desde então coloquei o MÉTODO IMOTO à disposição de todos que também queiram aplicar esta habilidade na sua autodefesa e nos seus exercícios de condicionamento físico e manutenção da saúde.

E os resultados compensam o investimento pois continuam a superar todas as minhas expectativas!

Para saber mais sobre alavancas clique aqui.

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